A História da Vacinação: Da Variolação à Era do mRNA e seu Papel na Prosperidade Humana
Introdução: Um Marco Civilizatório
A história da vacinação é uma narrativa épica do enfrentamento humano contra as doenças infecciosas, uma saga científica que transformou a demografia, a economia e o próprio curso das civilizações. Representando uma das mais bem-sucedidas intervenções em saúde pública da história, as vacinas salvaram centenas de milhões de vidas, alteraram expectativas de sobrevivência e possibilitaram o florescimento de sociedades que antes eram periodicamente devastadas por pandemias. Esta jornada, que começou com práticas empíricas na China medieval e culminou na sofisticada tecnologia de mRNA do século XXI, reflete não apenas avanços científicos, mas também mudanças culturais, políticas e sociais profundas. O Brasil, com seu robusto Programa Nacional de Imunizações (PNI), constitui um capítulo fundamental nesta história, demonstrando como a vacinação universal e gratuita pode transformar o perfil epidemiológico de uma nação.
Primeiros Conceitos: A Variolação e os Primórdios da Imunização
Origens na Antiguidade e China Medieval
A prática intencional de induzir imunidade contra doenças remonta a séculos antes da descoberta científica dos mecanismos imunológicos. No século X, na China da dinastia Song, desenvolveu-se a variolação – uma técnica engenhosa, porém arriscada, de proteção contra a varíola. O método consistia em coletar crostas de pústulas de pacientes com formas leves da doença, transformá-las em pó e administrá-las por inalação nasal (método “insuflação”) ou aplicação em pequenas incisões na pele. O objetivo era provocar uma infecção controlada, que conferisse imunidade duradoura sem os altíssimos riscos da varíola natural, que matava cerca de 30% dos infectados e deixava os sobreviventes frequentemente desfigurados ou cegos. Esta prática baseava-se na observação empírica de que quem sobrevivia à varíola não a contraía novamente.
A variolação disseminou-se lentamente pela Ásia Central e pelo Império Otomano. No início do século XVIII, Lady Mary Wortley Montagu, esposa do embaixador britânico em Constantinopla, testemunhou a prática e, tendo perdido um irmão para a varíola e ela própria sobrevivido à doença com marcas, tornou-se sua grande divulgadora na Europa. Em 1721, após um surto em Londres, ela convenceu a corte real a autorizar a variolação em prisioneiros e órfãos como teste e, posteriormente, imunizou seu próprio filho. A técnica ganhou adeptos, incluindo a família real britânica, mas seus perigos eram inegáveis: cerca de 2-3% dos variolados morriam, e o procedimento podia desencadear surtos, pois os indivíduos tratados tornavam-se temporariamente contagiosos.
A Revolução Jenneriana: O Nascimento da Vacina Moderna
Observação Rural e Intuição Científica
O salto conceitual que transformaria a imunização ocorreu nas zonas rurais da Inglaterra, através do trabalho meticuloso do médico e naturalista Edward Jenner. Apercebendo-se do folclore local que afirmava que as ordenhadoras que contraíam a varíola bovina (cowpox) – uma doença leve que causava pústulas nas mãos – nunca pegavam a temível varíola humana, Jenner decidiu investigar sistematicamente esta correlação. Após anos de observação, em 14 de maio de 1796, realizou seu famoso experimento: coletou material de uma pústula de cowpox da ordenhadora Sarah Nelmes e o inoculou no braço de James Phipps, um menino saudável de 8 anos. O garoto desenvolveu sintomas leves e recuperou-se rapidamente.
O momento crucial veio semanas depois: Jenner expôs Phipps à varíola humana através de inoculação variólica. O menino permaneceu saudável. O experimento foi repetido com outros indivíduos, sempre com o mesmo resultado. Jenner havia demonstrado que uma infecção por um patógeno animal relativamente inofensivo (o Vaccinia virus, relacionado ao da varíola bovina) conferia proteção cruzada contra um patógeno humano mortal.
Batismo e Difusão de uma Ideia Revolucionária
Jenner cunhou o termo “vacinação” (do latim vacca, vaca) para descrever o procedimento. Em 1798, publicou suas descobertas em “An Inquiry into the Causes and Effects of the Variolae Vaccinae”. Apesar do ceticismo inicial e de caricaturas que mostravam pessoas desenvolvendo características bovinas, a eficácia incontestável do método levou à sua rápida adoção. A vacinação jenneriana era incomparavelmente mais segura que a variolação, pois o cowpox não se transmitia entre humanos. Em poucas décadas, a prática espalhou-se pela Europa e Américas. Napoleão, em guerra com a Inglaterra, vacinou suas tropas e chegou a libertar prisioneiros ingleses a pedido de Jenner, declarando: “Não posso recusar nada a este homem”.
Eduard Jenner, 1824
O Século XIX: Pasteur e a Era da Microbiologia
A Teoria Germinal e a Imunologia Científica
O próximo grande salto veio com Louis Pasteur, químico francês que estabeleceu as bases da microbiologia e da imunologia moderna. Trabalhando com o vibrião do cólera das galinhas, Pasteur observou acidentalmente que culturas bacterianas velhas perdiam sua virulência, mas ainda induziam imunidade nos animais. Ele intencionalmente desenvolveu métodos para atenuar (enfraquecer) microrganismos, criando assim os primeiros “vacinos” – termo que ele propôs em homenagem a Jenner.
Em 1881, Pasteur demonstrou publicamente sua vacina contra o antraz (carbúnculo), imunizando ovelhas diante de uma plateia cética. O sucesso foi estrondoso. Sua obra-prima, porém, foi a vacina contra a raiva, desenvolvida em 1885. Utilizando medula espinhal de coelhos infectados e dessecada para atenuação, Pasteur aplicou-a com sucesso em Joseph Meister, um menino mordido por um cão raivoso. A criação do Instituto Pasteur em 1888 consolidou Paris como um dos primeiros grandes centros globais de pesquisa em vacinas.
Expansão e Controvérsias
O século XIX viu a institucionalização da vacinação. A Inglaterra a tornou obrigatória em 1853, gerando resistência que ecoa até hoje em movimentos antivacina. Novas vacinas surgiram, como a contra a cólera (1884) e a peste bubônica (1897), embora com eficácia limitada. O desenvolvimento da toxoide diftérico (von Behring e Kitasato, 1890) introduziu o conceito de imunização contra toxinas, não apenas contra bactérias.
O Século XX: Triunfos, Tecnologias e a Erradicação da Varíola
Avanços Tecnológicos em Cascata
O século XX testemunhou uma explosão de inovações na vacinologia:
1. Vacinas de Vírus Vivos Atenuados: Albert Calmette e Camille Guérin desenvolveram a BCG contra a tuberculose (1921), após 13 anos de passagens sucessivas da bactéria. Max Theiler criou a vacina contra a febre amarela (1937), premiada com o Nobel.
2. Vacinas Inativadas (de Vírus Mortos): Jonas Salk desenvolveu a primeira vacina injetável contra a poliomielite (1955), usando vírus inativados com formaldeído. Foi um marco de saúde pública que deteve a pandemia de paralisia infantil.
3. Vacinas de Vírus Vivos Orais: Albert Sabin desenvolveu a vacina oral contra a pólio (OPV, 1961), mais fácil de administrar e que conferia imunidade intestinal, crucial para interromper a transmissão. Sua adoção em larga escala nas campanhas de imunização globais foi decisiva.
4. Cultura Celular: A descoberta de como cultivar vírus em células (Enders, Weller, Robbins) possibilitou a vacina contra o sarampo (1963), caxumba (1967) e rubéola (1969), depois combinadas na tríplice viral (MMR).
A Conquista Máxima: A Erradicação da Varíola
A varíola, flagelo milenar, tornou-se o alvo da primeira e única erradicação de uma doença humana por esforço deliberado. Em 1959, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou um programa global, intensificado em 1967 sob a liderança de Donald Henderson. A estratégia combinou vacinação em massa com a inovadora “vigilância e contenção”: identificar rapidamente casos, isolar os doentes e vacinar todos os contatos. O último caso natural ocorreu em Ali Maow Maalin, na Somália, em 1977. Em 8 de maio de 1980, a OMS declarou oficialmente: “O mundo e todos os seus povos estão livres da varíola.” Foi a maior vitória da medicina e da cooperação internacional, demonstrando o poder das vacinas para não apenas controlar, mas eliminar patógenos.
Novas Plataformas: DNA Recombinante
Os anos 80 trouxeram a biotecnologia para a vacinologia. A primeira vacina desenvolvida por tecnologia de DNA recombinante foi contra a hepatite B (1986). Em vez de usar o vírus inteiro (potencialmente perigoso), inseriu-se o gene da proteína de superfície viral (HBsAg) em leveduras, que a produziam em massa. Era uma vacina purificada, extremamente segura e eficaz, abrindo caminho para vacinas contra o Vírus do Papiloma Humano (HPV) e outras.
Principais Centros Globais de Desenvolvimento de Vacinas
Atualmente, o ecossistema de pesquisa e desenvolvimento de vacinas é global e dinâmico, envolvendo instituições públicas, universidades, empresas farmacêuticas e parcerias público-privadas.
1. Estados Unidos: Lidera em inovação com o National Institutes of Health (NIH), especialmente o National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID), os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e uma forte indústria biotecnológica (Pfizer, Moderna, Merck, Johnson & Johnson). O Walter Reed Army Institute of Research (WRAIR) é crucial para vacinas contra doenças tropicais.
2. Europa: Tradicionalmente forte, com o Instituto Pasteur (França), a Wellcome Trust (Reino Unido), a Universidade de Oxford, e empresas como **AstraZeneca** (UK/Suécia), BioNTech (Alemanha, parceira da Pfizer) e Sanofi (França). A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) regula o mercado.
3. Índia: É a “farmácia do mundo em desenvolvimento”. O Serum Institute of India em Pune é o maior produtor de vacinas por volume global, fornecendo vacinas essenciais (como a da pólio, sarampo e, recentemente, a COVID-19 da AstraZeneca) para a OMS e programas de imunização em mais de 170 países. O país também possui institutos públicos de pesquisa robustos.
4. China: Cresceu exponencialmente, com empresas como Sinovac e Sinopharm fornecendo vacinas inativadas contra COVID-19 globalmente. Investe pesadamente em novas plataformas tecnológicas.
5. Brasil e América Latina: O Brasil se destaca através da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), principal produtora pública de vacinas da América Latina, e do Instituto Butantan, especializado em soros e vacinas (influenza, COVID-19). A OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) atua como um hub de cooperação técnica e compras conjuntas para a região.
As Novas Fronteiras: Vacinas Modernas e Seguras
A vacinologia do século XXI caracteriza-se por plataformas mais precisas, seguras e rápidas de desenvolver:
1. Vacinas de mRNA (RNA Mensageiro): A estrela da pandemia de COVID-19. Em vez de injetar o antígeno ou um vírus atenuado, injeta-se um mRNA instrucional encapsulado em nanopartículas lipídicas. Esse mRNA entra nas células do músculo e as “ensina” a produzir temporariamente a proteína spike do vírus, que desencadeia a resposta imune. As vacinas da Pfizer-BioNTech e Moderna demonstraram eficácia superior a 90% e um perfil de segurança excelente em bilhões de doses. A plataforma é versátil e promissora para HIV, Zika, influenza e até câncer.
2. Vacinas de Vetores Virais Não-Replicantes: Usam um vírus inofensivo (como adenovírus de chimpanzé) como “cavalo de Troia” para levar genes do patógeno-alvo às células. Exemplos: vacinas contra COVID-19 da AstraZeneca/Oxford e Johnson & Johnson, e contra Ebola.
3. Vacinas de Subunidades e Nanopartículas: Utilizam partes purificadas do patógeno (proteínas) combinadas com adjuvantes modernos (como o AS01, usado na vacina contra herpes zoster – Shingrix) para potenciar a resposta imune. São muito seguras.
4. Vacinas Conjugadas: Liga quimicamente um polissacarídeo bacteriano (pouco imunogênico em crianças) a uma proteína transportadora, conferindo imunidade duradoura. Revolucionaram o controle de doenças como meningite por Haemophilus influenzae tipo b (Hib) e pneumococo.
5. Vacinas com Desenho Racional e Imunologia de Sistemas: Usam modelagem computacional e inteligência artificial para desenhar antígenos otimizados, como as vacinas candidatas contra a malária** (RTS,S/AS01) e HIV.
O Caso Brasileiro: O PNI e a Capacidade Nacional
História e Resistência
As vacinas chegaram ao Brasil no início do século XIX, mas sua implementação encontrou resistência cultural e política. O episódio mais emblemático foi a Revolta da Vacina (1904), no Rio de Janeiro, quando a campanha obrigatória contra a varíola do sanitarista Oswaldo Cruz foi usada como estopim para uma insurreição popular contra políticas autoritárias do governo e condições de vida precárias. Apesar do recuo na obrigatoriedade, a varíola foi eliminada do país em 1971. O reconhecimento da erradicação veio em 1973 através de certificação da OMS. Somente em 1980 foi erradicada no restaurante do mundo.
A Criação de um Sistema de Excelência
O marco transformador foi a criação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), em 1973, sob a liderança do Ministério da Saúde. Inspirado pelos ideais do Sistema Único de Saúde (SUS), criado pela Constituição de 1988, o PNI estabeleceu princípios fundamentais: universalidade (acesso a todos), gratuidade e equidade. Ele é uma das maiores e mais bem-sucedidas políticas de saúde pública do mundo.
Estrutura e Conquistas do PNI:
* Calendário Vacinal Abrangente: Oferece mais de 20 tipos de vacinas para todas as faixas etárias, da gestante ao idoso, cobrindo mais de 20 doenças.
* Campanhas de Vacinação em Massa: As campanhas anuais de multivacinação e contra a gripe são modelos de logística e mobilização social.
* Produção Nacional Pública: A Fiocruz (Bio-Manguinhos) e o Instituto Butantan são pilares da autossuficiência estratégica. O Butantan é um dos maiores produtores mundiais de vacina contra influenza; a Fiocruz domina a produção da vacina contra febre amarela e é centro produtor da vacina COVID-19 da AstraZeneca.
* Sistema de Informação (SI-PNI): Monitora coberturas vacinais em tempo real, permitindo ações corretivas.
* Resultados: O Brasil erradicou a varíola (1973) e a poliomielite (1989), eliminou a circulação do vírus do sarampo por anos (infelizmente com retrocessos recentes), e controlou drasticamente doenças como tétano, difteria, coqueluche e formas graves da tuberculose (via BCG).
O SUS, apesar de seus desafios de financiamento e gestão, é a infraestrutura que torna o PNI possível, garantindo a distribuição de vacinas até os locais mais remotos da Amazônia ou do sertão.
A Relevância da Vacinação para a Prosperidade Humana
O impacto das vacinas transcende em muito a esfera da saúde individual; é um dos principais motores do desenvolvimento socioeconômico humano.
1. Revolução Demográfica: Antes das vacinas, as doenças infecciosas eram a principal causa de morte, especialmente infantil. A vacinação, junto com saneamento e antibióticos, fez a expectativa de vida global saltar de cerca de 30-40 anos no início do século XX para mais de 70 anos atualmente. Famílias passaram a ter menos filhos na certeza de que a maioria sobreviveria.
2. Crescimento Econômico: Doenças debilitam populações economicamente ativas, sobrecarregam sistemas de saúde e geram custos astronômicos com tratamentos. A erradicação da varíola, por exemplo, gerou para os países uma economia estimada de mais de US$ 1 bilhão por ano apenas em custos de tratamento e vigilância. Crianças saudáveis frequentam a escola e se tornam adultos produtivos. O Retorno sobre o Investimento (ROI) em vacinação é excepcional: para cada dólar gasto em imunização na infância, estima-se um retorno de US$ 44 em benefícios econômicos e sociais.
3. Equidade Social: As vacinas são uma ferramenta poderosa de justiça social. Protegem igualmente ricos e pobres. Programas como o PNI no Brasil reduzem dramaticamente as disparidades em saúde, dando a crianças de todas as classes acesso à mesma proteção que antes era privilégio de poucos.
4. Paz Social e Segurança Global: Pandemias desestabilizam sociedades. A capacidade de responder rapidamente com vacinas, como visto (com desigualdades) na COVID-19, é crucial para a segurança global. A erradicação da varíola é um monumento ao que a cooperação internacional pode alcançar.
A Importância Contínua da Imunização: Prevenção e Erradicação
A história não acabou. Manter altas coberturas vacinais é uma tarefa contínua e crítica.
Prevenção de Doenças e Surtos:
* Exemplo: Sarampo. Altamente contagioso (R0~12-18), pode causar pneumonia, encefalite e morte. Entre 2000 e 20224, a vacinação evitou 59 milhões de mortes globalmente, segundo dasdos da OMS. No entanto, a queda nas coberturas vacinais (impulsionada por desinformação antivacina) levou a surtos devastadores no Brasil (2018-2019) e na Europa, demonstrando que doenças controladas podem retornar rapidamente.
* Exemplo: HPV. Vacina que previne câncer (colo do útero, orofaringe, ânus). A adoção em larga escala em países como Austrália e Reino Unido já mostra redução drástica de lesões pré-cancerosas, apontando para a possível eliminação do câncer cervical como problema de saúde pública.
* Exemplo: COVID-19. As vacinas, apesar de não bloquear totalmente a transmissão da variante Ômicron, reduziram dramaticamente o risco de doença grave, hospitalização e morte, salvando milhões de vidas e permitindo a reabertura das sociedades.
O Sonho da Erradicação:
A erradicação (extinção mundial do patógeno) é o objetivo máximo, pois elimina permanentemente a doença e os custos de controle.
* Exemplo Bem-Sucedido: Varíola. O único caso até hoje.
* Meta em Andamento: Poliomielite. Incrivelmente próxima. O poliovírus selvagem tipo 2 e tipo 3 foram erradicados (em 2015 e 2019). Restam focos endêmicos apenas no Afeganistão e Paquistão (tipo 1). Campanhas globais massivas, como as lideradas pela Iniciativa Global de Erradicação da Pólio (GPEI), são essenciais para o “último quilômetro”.
* Próximo Alvo: Sarampo e Rubéola. Têm potencial de erradicação por serem vírus humanos sem reservatório animal e existirem vacinas altamente eficazes. A Região das Américas foi declarada livre da rubéola e do sarampo endêmico em 2015 e 2016, respectivamente, embora surtos por importação ainda ocorram.
* Desafio Futuro: Malária Uma vacina (RTS,S/AS01) com eficácia modesta já está em uso piloto na África. Vacinas mais eficazes, combinadas com outras intervenções, poderiam um dia levar à eliminação regional e talvez à erradicação global.
Conclusão: Um Patrimônio da Humanidade a Ser Defendido
A história da vacinação é um testemunho do melhor da ciência, da solidariedade humana e da governança pública. Da intuição de ordenhadoras inglesas aos laboratórios de biotecnologia que decifraram o código do mRNA em tempo recorde, essa jornada salvou mais vidas do que qualquer outra intervenção médica.
O Brasil, com seu PNI e SUS, exemplifica como um país em desenvolvimento pode construir um sistema de imunização que é referência mundial e orgulho nacional. No entanto, esse patrimônio é frágil. Requer financiamento constante, vigilância epidemiológica, investimento em pesquisa e, sobretudo, confiança pública. O ressurgimento de movimentos antivacina, alimentados pela desinformação digital, é uma ameaça real que já causa mortes evitáveis.
Olhando para o futuro, as vacinas continuarão na vanguarda da medicina, com promessas de tratar o câncer, doenças autoimunes e neurodegenerativas. Mas seu papel fundamental permanece o mesmo de 1796: prevenir o sofrimento e a morte por doenças infecciosas. Continuar imunizando não é apenas um ato de proteção individual; é um pacto coletivo, um investimento no futuro comum e um dos pilares mais sólidos sobre os quais a humanidade construiu – e continuará a construir – sua prosperidade. A história da vacina ainda está sendo escrita, e seu próximo capítulo depende da nossa sabedoria em honrar e dar continuidade a essa extraordinária conquista.
Nota:
● Clique nos links disponibilizados e baixe material gráfico informativo sobre vacinas e vacinação:
https://sbi.org.br/wp-content/uploads/2022/10/Ebook-SBI-Imunologia-das-Vacinas.pdf
https://www3.paho.org/hq/dmdocuments/2016/CursoVacinas-ReinaldoMartins-BRA2015.pdf
https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2024/10/profarma-c6v4-vacinas.pdf
https://fiocruz.br/noticia/2022/05/controle-da-variola-aponta-caminhos-para-saude-publica
https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/measles
● Veja mais em:
https://youtu.be/BylqsLsYQ-k?si=JscEZioghGvOvoiX
https://youtu.be/rH_PxLVljl0?si=jpHlICfTDi87105B
https://youtu.be/aDJTiCSd2Fc?si=pqgA9xkN7tFADIDT
https://youtu.be/HYBKMt67jyU?si=ysiTV4u657gKjo22
● Se este conteúdo lhe foi útil ou o fez refletir, considere apoiar espontaneamente este espaço de História e Memória. Cada contribuição ajuda no desenvolvimento do blog. Chave PIX: oogrodahistoria@gmail.com
Muito obrigado, com apreço.





Comentários
Postar um comentário
Agradecemos o seu comentário. Isto nos ajuda no desenvolvimento deste blog.